A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o fim da jornada de trabalho 6×1 teve sua sessão de quarta-feira cancelada e não realizará a leitura do relatório oficial da medida. O anúncio do adiamento foi feito pelo presidente do colegiado, o deputado Alencar Santana, após uma reunião de emergência realizada na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta. O encontro contou com a presença do relator da proposta, Leo Prates, do líder do governo na Casa, Paulo Pimenta, e do deputado Reginaldo Lopes, autor de um dos projetos em discussão. Com a mudança de planos, a apresentação do parecer foi remarcada para a próxima segunda-feira.
O principal motivo para o travamento da pauta é a falta de consenso em relação ao tempo que as empresas terão para se adaptar às novas regras. Os parlamentares estão divididos entre estabelecer um período de transição que varie de dois a cinco anos. Enquanto setores mais conservadores pedem um prazo maior para o planejamento econômico, os deputados governistas pressionam para que a mudança ocorra de forma imediata ou com o menor intervalo possível, defendendo que os trabalhadores não esperem tanto tempo pelo novo benefício.
Apesar das divergências sobre os prazos de adaptação, a cúpula da comissão assegurou que os pilares fundamentais do projeto continuam mantidos e preservados no texto final. A proposta garante o direito a dois dias de descanso semanais, fixa a carga horária máxima em 40 horas e proíbe terminantemente qualquer redução nos salários dos funcionários, além de dar maior peso e fortalecimento às convenções e negociações coletivas entre patrões e empregados.
Mesmo com o adiamento do debate na comissão especial, o relator Leo Prates afirmou que o presidente Hugo Motta manteve o compromisso de levar o projeto para votação no plenário principal da Câmara já na próxima semana. No entanto, o ritmo acelerado na Câmara pode não se repetir na outra ala do Congresso. O líder do governo, Paulo Pimenta, alertou que ainda não existe nenhum acordo firmado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para garantir que o texto seja votado e aprovado em definitivo pelos senadores antes do recesso para as eleições.
Impasse sobre período de transição adia leitura do relatório que propõe o fim da escala 6×1
Com informações de a voz das cidades


