Muito além de um momento de carinho e conexão, a amamentação é um fator crucial para a sobrevivência e o pleno desenvolvimento dos recém-nascidos. No noroeste do estado de São Paulo, o trabalho desenvolvido pelos bancos de leite humano de São José do Rio Preto e de Araçatuba tem sido o grande diferencial na vida de crianças que nasceram antes do tempo e no suporte a mães que enfrentam dificuldades para amamentar. A mobilização ganha ainda mais força durante o mês de maio, período dedicado a campanhas de incentivo para reforçar os estoques antes do inverno, época em que os bebês internados ficam mais vulneráveis a infecções respiratórias e a demanda pelo alimento cresce.
Apesar da importância do serviço, manter os estoques cheios é um desafio constante. No primeiro quadrimestre de 2026, o Banco de Leite de Araçatuba arrecadou 204 litros de leite graças ao gesto solidário de 114 voluntárias. A coordenadora da unidade, Jesiela Passarini, alerta que o volume captado é enviado quase que imediatamente para as UTIs neonatais dos hospitais locais, o que impede a formação de uma reserva de segurança. A preocupação é acentuada pelo fato de a Santa Casa de Araçatuba ser a grande referência no atendimento de alta complexidade para 40 municípios da região. Em São José do Rio Preto, o cenário também é de intenso movimento: entre janeiro e abril, 125 mulheres se cadastraram como doadoras, gerando uma média mensal de 150 litros processados. Esse alimento passa por um rigoroso controle de qualidade, pasteurização e análises em laboratório antes de abastecer as quatro UTIs neonatais da cidade.
Os especialistas reforçam que o leite materno funciona como um medicamento natural para os prematuros. De acordo com Priscila Theodoro, gerente da unidade de Rio Preto, os componentes exclusivos do alimento aceleram a recuperação das crianças, ajudando a fortalecer o sistema imunológico e diminuindo consideravelmente o tempo de internação hospitalar. Essa rede de apoio fez toda a diferença na história do pequeno Benício, filho da comerciante Alana Chiesa. Nascido com apenas 33 semanas de gestação e pesando 1,4 quilo, o bebê precisou do leite doado nos seus primeiros dias de vida, enquanto a mãe ainda não conseguia produzir o suficiente. Hoje, saudável e com pouco mais de dois meses, ele é amamentado exclusivamente por Alana, que contou com a ajuda de técnicos para estimular sua própria produção.
O caminho inverso, de quem estende a mão para ajudar, é vivido pela autônoma Tainá Cristina Marras da Silva. Mãe de um bebê forte de dois meses, ela percebeu que produzia mais leite do que o filho conseguia mamar e decidiu procurar o banco de leite para doar o excedente. Para facilitar a rotina de voluntárias como Tainá, as equipes das instituições realizam a coleta dos frascos diretamente nas residências das doadoras uma vez por semana.
Além de coletar e distribuir o alimento, essas instituições desempenham um papel social acolhedor, desmistificando a ideia de que a amamentação é um processo simples e sem dores. A advogada Larissa Lima de Jesus, que enfrentou ferimentos nos seios e insegurança nos primeiros 19 dias de vida do filho Saulo, encontrou no banco de leite o suporte técnico e emocional de que precisava para corrigir a postura do bebê na hora de mamar. Gratuitos e abertos a qualquer mulher que necessite de auxílio, os serviços contam com equipes formadas por psicólogos, pediatras, fonoaudiólogos e nutricionistas. Para quem deseja doar ou precisa de orientação, o Banco de Leite de Rio Preto atende na Avenida Philadelpho Manoel Gouveia Neto, número 1900, ou pelos telefones (17) 3214-3422 e 3222-2453. Já em Araçatuba, a sede fica na Rua Dona Ida, número 1380, com contatos pelos números (18) 3636-1175 e (18) 99718-1654.
Bancos de leite da Região Noroeste mobilizam doações para salvar bebês prematuros
Com informações de a voz das cidades


